Moda

Cartas de Tarô são o tema da nova coleção Haute Couture da Dior

27 jan 2021 • por Nina Kauffmann • 0 Comentários

Christian Dior embarcou esta semana em uma nova jornada da Alta-Costura, em uma viagem virtual a um castelo imaginário, para apresentar a mais recente criação de Maria Grazia Chiuri para a grife, desta vez inspirada nas cartas do tarô.

Um encontro ideal entre a França e a Itália, que faz referência ao primeiro baralho de tarô já registrado, encomendado por um duque Visconti de Milão no século 15, e ao famoso hobby de Monsieur Dior de ler seu futuro através dele.

O resultado foi uma visão modernista da moda medieval em um vídeo alegórico dirigido por Matteo Garrone e lançado na segunda-feira (25), dia de abertura da Semana da Alta-Costura de Paris. 

Não vimos cavaleiros de armaduras reluzentes ou donzelas em perigo, apenas um grupo de espíritos femininos independentes e românticos em busca de seu eu interior. O vídeo começa com a imagem de um castelo rústico, digno de Game of Thrones, dentro do qual uma leitora de tarô vira a primeira carta de uma beleza perturbada. Trata-se da Sacerdotisa, que veremos mais tarde em um vestido bustier em jacquard em todo o seu esplendor.



Assim começa este belo filme de Garrone, diretor italiano vencedor do Festival de Cannes, que também foi contratado para fazer o vídeo da Dior Haute Couture do verão passado.

Desta vez, as garotas testam a balança da justiça na sala do trono do castelo, desafiando o destino e deixando uma bruxa guiá-las por uma porta para o futuro.
 
“Por que a silhueta medieval? Talvez porque vivemos um período de incertezas e por isso nos referimos a essa época. Hoje é mais difícil ser otimista em relação ao futuro, não é mesmo?”, questionou Maria Grazia durante uma conversa com jornalistas via Zoom.

Vemos os personagens do tarô em cada cômodo do castelo: desde um demônio com chifres e asas usando um vestido de tule decotado, a Justiça em um vestido de musselina verde, segurando sua balança implacável. Uma ninfa com uma máscara metálica desnuda nossa heroína, para que ambas mergulhem em um banho de vapor, no qual ela abraça a si mesmo. À esquerda, com uma peruca veneziana loira, à direita, com um corte estilo pajem em tom escuro.

“Quando criamos esta coleção, não tínhamos certeza de onde poderíamos exibi-la. Provavelmente não seria em uma passarela. Mas eu sabia que queria trabalhar com Matteo Garrone em um filme, ainda que fosse de um desfile. Queria um sentido cinematográfico e também um desfile, queria combinar ambos. Matteo tem uma grande capacidade de expressar o universo da alta-costura, ele entende as referências estéticas. Você tem que trabalhar com as pessoas com as quais se conecta profundamente, senão fica muito complicado. Por isso tem sido ótimo trocar ideias e passar um tempo juntos, mesmo que não fisicamente, já que estou em Paris e Pietro (Beccari, presidente e CEO da Dior) está em Roma”, brincou Chiuri.

Entre os personagens do tarô, encontramos A Temperança com um manto de veludo devoré com a impressão de mil flores; A Morte em um vestido plissado bordado em cristais; A Lua em um vestido de festa de lamé de chenille rosa com pregas Watteau nas costas; até chegar ao Sol, usando um vestido impressionante incrustado de moedas gigantes de guipur de ouro; uma excepcional mostra final do magnífico ateliê da Dior.
 
A estilista italiana confessou que durante o desenvolvimento desta coleção ela própria desfrutou de alguma leitura de tarô. “É como fazer uma análise e, de certa forma, te dá sua própria resposta em sua própria viagem introspectiva”, concluiu.


 

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