Cultura

FIL completa duas décadas de sucesso e traz diversas atrações ao Rio

08 out 2023 • por Nina Kauffmann • 0 Comentários

O aguardado Festival Internacional Intercâmbio de Linguagens (FIL) está pronto para celebrar duas décadas de vida em 2023, e chega entre 7 e 15 de outubro, com uma programação vibrante no Parque Lage e no Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro. Esta atmosfera enriquecedora de arte, teatro, dança, artes digitais e performances promete expandir os horizontes das infâncias de todas as idades. Com curadoria primorosa da dramaturga, encenadora, roteirista e inventora do Festival Karen Acioly, o FIL se estabeleceu como um marco na cena cultural do Rio de Janeiro, do Brasil e também no exterior. Este ano, o Festival vai abordar a temática “A Cosmogonia das Infâncias”, ou seja, o título traduz que é a forma de explicar como o universo surgiu, explorando a criatividade e a multiplicidade de imaginários que caracterizam a infância, reflexões que trazem à tona a formação do mundo a partir do olhar das crianças.

A curadoria visionária de Karen Acioly tem sido fundamental para o sucesso contínuo do FIL. Sua paixão pela arte e dedicação às infâncias resultaram em edições memoráveis do festival, proporcionando momentos enriquecedores para crianças, famílias e entusiastas da cultura. A 20ª edição será auspiciosa, com Acioly liderando uma equipe de multitalentos para criar experiências que vão transcender fronteiras e idades. Em espaços de encontro, exploração e celebração da arte, os participantes terão a oportunidade de mergulhar em uma programação diversificada, repleta de espetáculos, exposições, vivências extraordinárias, coisas que ainda não têm nome – gênese principal do FIL- e encontros inspiradores.

Dos dias 7 a 15 de outubro, no CCBB e no Parque Lage, o FIL vai oferecer 20 maravilhas afetivas para todas as infâncias, sem distinção de idade, para ritualizar os 20 anos de FIL: ópera com marionetes, dança em família, espetáculos feitos por – e para – crianças, observatório e ouvidoria das infâncias, além de vivências espetaculares, sensoriais, táteis e imersivas e experiências de criança para criança, de criança para adulto, de adulto para criança. Serão 20 atrações, 20 anos de FIL” – festeja a diretora Karen Acioly.

Em 20 anos, o FIL cresceu, amadureceu e acabou tornando-se um ímã de maravilhas, celeiro de talentos, e um portal entre artistas brasileiros e internacionais. – E o que tem de novo no FIL? Tudo!! O FIL é sempre inédito em seu cardápio de descobertas. E nesse ano inventa misturar o ancestral e o virtual: do mamulengo à realidade aumentada. Do real ao real de mentirinha.

– Para a abertura oficial do Festival, no dia 7 de outubro, de 10 às 11h, no Parque Lage duas atrações de tirar o fôlego: a performance gaúcha O lançador de foguetes e o olhar amoroso para as diversas infâncias brasileiras com a exposição “A Cosmogonia das infâncias” do fotógrafo cearense Samuel Macedo. A exposição ganhou os quintais do mundo, em expedições iniciadas já na adolescência. Inspirado no avô que tinha uma oficina de onde saiam traquitanas, acabou recebendo sua primeira câmera, uma caixa escura feita com resto de tudo.

Um outro destaque é a ópera de marionetes com um conto dos povos originários da floresta no espetáculo “Onheama”, (eclipse em língua tupi), do Menor Teatro do Mundo, de São Paulo. Por meio de elementos mitológicos e telúricos, a obra conta a história épica de Iporangaba, um jovem guerreiro indígena, que fala de suas tradições, lendas e origens amazônicas. Em sua saga, ele conta com a ajuda do boto-cor-de-rosa e de Iara, seres encantados da mitologia amazônica. A ópera foi escrita por João Guilherme Ripper, em parceria com o Festival Amazonas de Ópera (FAO) e a Secretaria de Cultura do Amazonas. Dias 7 e 8, às 16h, no CCBB/RJ.

Arte em família – Os pequenos terão a oportunidade de assistir em primeira mão a pequena Ana Gomide de 10 anos, do Ceará estreando “Babauzinha”, em que apresenta um espetáculo de teatro de bonecos popular em homenagem à tradição do babau, do Cassimiro Coco e do mamulengo. É o seu debut solo, sendo a primeira de sua família a herdar a tradição dos bonecos de babau. Ela faz parte da terceira geração da importante companhia brasileira Carroça de Mamulengos, que há mais de 40 anos utiliza a arte como ferramenta de preservação dos elementos que caracterizam as festas e folguedos brasileiros. Sua mãe, Maria Gomide, a dirigiu, seus avós criaram os bonecos e seu pai, Samuel Macedo, a fotografou. Dias 7 e 8, às 15h, no Parque Lage.

Intercâmbios de criações internacionais também acontecem no FIL: Rafael Rocha (Brasil) e Dasha Lavrennikov (Rússia) realizam performances e vivências -com o público- que criam o diálogo e a interseção entre som e movimento, música e dança em “Dansonora”. A proposta é potencializar e estimular a percepção, e gerar, através da música, expressões corporais, com a dança entre público e artistas. Dia 14, às 18h, no CCBB/RJ.

Já o RastaPezinho no Parque, do Rio de Janeiro, convida bebês e crianças de até quatro anos para uma apresentação musical interativa. A ideia é brincar, dançar e se divertir com temas circenses durante um sarau. A experiência coloca os pequenos no centro da cena, junto com seus responsáveis, e todos dividem o palco-picadeiro com os artistas, estimulando o desenvolvimento da linguagem, percepções sensoriais, atenção, conscientização corporal, coordenação motora e o desenvolvimento emocional, em um convidativo espaço de socialização para crianças e adultos. Fiquem atentos pois há sessões diferentes para bebês andantes e para bebês de colo. Dias 12, às 16h e 15, às 11h, no Parque Lage.

Que tal participar de um espetáculo – brinquedo? Assim é Dando Ouvidos, uma conexão com a natureza e suas raízes. Em formato de arena, a atriz brincante Maria Angélica Gomes, convida as crianças a serem sementes. Temas fundamentais, como ciclo da vida, biodiversidade e o sonhar são apresentados e elaborados pelo público, com o uso de jogos interativos e objetos. Dias 12, às 11h e 14, às 16h, no Parque Lage.

O francês Maurice Ravel é o compositor da ópera O menino e os sortilégios que vem de São Paulo, com a Cia Pequeno Teatro do mundo. Conta a história de um menino que enfrenta suas emoções mais ocultas. Por meio dos sortilégios e dos encantamentos, os objetos ganham vida e o ajudam a encontrar uma forma mais humana e generosa de viver. É uma fantasia lírica, uma metáfora da infância e do amadurecimento através do teatro de marionetes. No Dia 12, às 11h, no CCBB/RJ.

A brisa do mar da Restinga de Marambaia será sentida no jardim do Parque Lage, por meio da música e dança do projeto Flautistas de Marambaia e Os Meninos do Mangue. Trinta alunos da Escola Municipal Professor Vieira Fazenda, de Barra de Guaratiba, e seis flautistas da Pró-Arte vão apresentar um primoroso trabalho musical, que enaltece ecossistemas do manguezal e do mar, usando a sonoridade de canções de Dorival Caymmi, Tom Jobim, Moacir Santos, Gilberto Gil, Gordurinha, Marcelo Caldi e Ciranda de Caranguejo de Tarituba. O projeto Flautistas da Marambaia e Meninos do Mangue existe há 20 anos, mesmo tempo do FIL e foi idealizado pela professora Cláudia Ernest Dias, inspirado no projeto “Flautistas da Pró-Arte”, com o apoio da Secretaria Municipal de Educação (SME-RJ). Seu objetivo é resgatar, por meio da educação musical, o valor e a imagem de alunos, filhos e netos de catadores de caranguejos, que vivem nos manguezais da região. Há um ano, ele passou a contar com o apoio do projeto “Conexões”, da Orquestra Sinfônica Brasileira (OSB). Dia 12, às 10h, no Parque Lage.


Vivências espetaculares: a gente quer é viver! será uma forma de diferentes artistas que brincam de música, circo e dança experimentarem e, junto com o público, contarem suas histórias. Um dos exemplos é a multiartista e produtora, Adelly que vai apresentar a vivência: Tem formiga na cadeira. A artista conta histórias coreográficas de suas escolhas de vida até os dias de hoje e, em um vai e vem de movimentos, o espectador acaba envolvido num trajeto sensorial que ele mesmo ajuda a construir. Dia 14, às 16h, no CCBB/RJ.


O bailarino, coreógrafo, diretor de movimento e terapeuta Paulo Mazzoni, também faz parte da Vivência Espetacular com Família de pernas para o ar! Ele vai convidar o público para uma imersão acrobática, mostrando que a arte pode estreitar a confiança entre os familiares e aprimorar o contato físico entre as pessoas que se entregam ao balanço. através de jogos e brincadeiras lúdicas. Dias 12, às 16h no CCBB/RJ e 14, às 15h, no Parque Lage.

Através – Bruno Carneiro

Em Através, Bruno Carneiro compartilha com o público sua história e percurso, na divina arte do circo, envolvendo-o em uma trama multifacetada e sensorial. Utilizando instrumentos de bambu, conduz o espectador num mergulho sensível com esse elemento. O artista de circo investiga os desdobramentos do fazer circense a partir da intersecção com outras linguagens e materialidades. Dia 15. Às 16h, no CCBB/RJ.


Já Multimundos vem mostrar as experiências com Artes Digitais dentro do FIL. É uma parceria FIL- PPGMC ECO/UFRJ e UNIRIO, projeto de extensão BUGLAB. As artes digitais imersivas inserem o espectador – de todas as idades – em uma experiência multissensorial que transcende a mera observação passiva. Assim, ao combinar elementos visuais, sonoros e táteis, aquele que antes apenas assistia, se torna participante ativo das experiências narrativas propostas por artistas-pesquisadores que desejam explorar novos meios de estimular emoções e perspectivas. Dias 14, das 14h às 16h e 15, das 14h às 18h, no CCBB/RJ.

O atravessamento entre arte, ciência e tecnologia tem dado origem a uma sinergia que transcende as fronteiras tradicionais dos conhecimentos individuais. Tudo se mistura, assim como no FIL Festival. Há exatos cinco anos o FIL é parceiro da Escola de Comunicação da UFRJ, a ECO. Esse namoro deu certo e, a partir dele, foi criado o “ Observadores FIL”, alunos da graduação da ECO que atuam como olheiros e comentadores do FIL nas redes sociais. Em 2021, o FIL virou projeto de extensão no Programa de Pós-Graduação da ECO, o PPGMC, de mãos dadas com a professora e doutora Cristina Rego Monteiro da Luz. Os observadores se mostraram tão potentes, que o FIL criou moda, parceria e método, se espalhou e os Observadores FIL agora são exemplos de parceria para outros festivais e universidades.


Agora, em 2023, ampliando ainda mais essas parcerias, o FIL convidou os pós-graduandos a participarem desta nova atração: o Multimundos FIL-ECO. Para tecer ainda mais bordados, outros projetos se uniram ao FIL: o projeto de extensão Buglab, da UNIRIO e o Narratlab, o laboratório de narrativas que compartilharão com o público, alguns processos criativos de podcasts.

A magia vai estar solta pelos jardins exuberantes do Parque Lage durante a apresentação do grupo Quintal Mágico. Crianças e suas famílias vão poder brincar, dançar e cantar baião, coco, cacuriá, carimbó, boi, choro e cantigas infantis, ao som de um rico repertório da cultura popular brasileira cantado e tocado ao vivo. À medida que o show acontece, brincadeiras e interações com o público são propostas, criando um espetáculo único. Dia 7, às 11h e 15, às 16h, no Parque Lage

Serviço:

FIL – Festival Internacional Intercâmbio de Linguagens – 20ª Edição 

Locais: Parque Lage e Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro(CCBB)

Datas: de 7 a 15 de outubro

Parque Lage – programação gratuita – senhas distribuídas 1h antes do início do espetáculo

CCBB – programação paga e gratuita – a programação gratuita terá as senhas distribuídas 1h antes do espetáculo

*No Dia das Crianças (12 de outubro) – todos os eventos serão gratuitos

O Festival contará com a participação dos Observadores FIL (ECO – UFRJ) cobrindo a programação com lives e directs.

Fil indica: levar cangas, esteiras e cadeiras de praia para a programação ao ar livre, no Parque Lage.

Informações completas no site: fil.art.br 

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