Moda

Luxo ainda é um bom investimento

02 jun 2020 • por Nina Kauffmann • 0 Comentários

A indústria do luxo continua mais atrativa do que nunca para os investidores, de acordo com a quinta edição do relatório “Global Fashion & Luxury Private Equity and Investors Survey 2020”, publicada pela Deloitte. Em 2019, foram concluídas 271 operações de F&A, com seis operações a mais que o ano anterior, o que representa um aumento de 2%. No entanto, vale lembrar que o ano de 2018 se revelou mais dinâmico, com 47 negócios adicionais em relação a 2017.

No topo do ranking de 2019, tal como no ano anterior, estão as transações do setor hoteleiro de luxo, que representaram 43% do total das transações. No ano passado, foram 115,  40 negócios a mais que em 2018. No segmento de artigos de luxo, por outro lado, o número de negócios concluídos diminuiu, sendo 53 transações a menos, incluindo -26 em Vestuário & Acessórios, -17 em Relógios & Joalheria e -10 em Cosméticos & Perfumes.

Com a pandemia do novo coronavírus, que atingiu duramente a moda no início do ano, e um contexto político instável, os investidores estão vendo mudanças radicais no mercado. Mas isso não deve atrasar as operações, muito pelo contrário. Estima-se que crise irá produzir perdedores e vencedores, e podemos esperar inevitavelmente um ressurgimento de aquisições e fusões ao longo dos próximos dois anos.

De acordo com as previsões da Deloitte, após um declínio em 2020, o mercado do luxo deverá crescer 2% a 2,5% por ano dentro de cinco anos. Este aumento deverá atingir 10% entre 2019 e 2025 para as vendas de artigos pessoais de luxo, com uma taxa anual de +1,9%. Os outros segmentos de luxo serão mais penalizados a curto prazo, mas as vendas deverão aumentar 20% no mesmo período, à uma taxa de crescimento anual de 2,4%.

“Mesmo neste ano difícil, a indústria do luxo continua sendo um terreno fértil para os investidores. Depois do COVID-19, 70% dos fundos continuarão investindo no mercado do luxo, nos setores de Vestuário & Acessórios, Cosmética & Perfumaria e Luxo Digital. É neste último setor, em particular, que se concentrarão as boas oportunidades de investimento em 2020, enquanto a loja clássica evoluirá de ponto de venda para ponto de contato, confirmando a importância das vendas online para o mundo do private equity“, ressaltou em comunicado Elio Milantoni, sócio da Deloitte.

No varejo, a categoria Vestuário & Acessórios ganhou 28 pontos em termos de interesse dos investidores, Cosméticos & Fragrâncias +15 e Luxo Digital +53, enquanto Mobiliário perdeu 17 pontos.

No entanto, de acordo com estimativas da Deloitte, “nos próximos três anos, os investidores esperam um impacto significativo do COVID-19, especialmente nos setores automobilístico, hoteleiro, de restauração, cruzeiros e varejo. As vendas de vestuário, relógios e joias, iates e jatos privados permanecerão estáveis, enquanto se espera que Cosméticos & Perfumes e Mobiliário doméstico cresçam e que as vendas de bens de luxo digitais saltem”.

De fato, a pandemia irá acelerar o uso de tecnologias inovadoras. “As empresas de luxo estão à procura de novas empresas e de empresas digitais para explorarem possíveis sinergias. A penetração digital também levará a revoluções físicas”, diz a empresa de auditoria e consultoria.

Quase 57% dos operadores financeiros entrevistados tendem a “investir em tecnologias disruptivas em 2020. Internet of ThingsBig Data & Analytics e Inteligência Artificial terão o maior impacto nas carteiras dos investidores este ano”.
 
Por fim, numa perspectiva geográfica, “os investidores esperam que os mercados asiáticos e do Médio Oriente se recuperem mais rapidamente do impacto negativo do COVID-19, com um crescimento no setor da Moda & Luxo. A Europa e a América Latina, pelo contrário, deverão sofrer mais, recuando nos próximos anos”, diz o relatório.

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